top of page

O Homem invisível: Ser é ser percebido

  • Writer: Marcos Schmidt
    Marcos Schmidt
  • Mar 22
  • 1 min read

Houve quem me perguntasse sobre o recorte da personagem na capa de ”O homem invisível” de H. G. Wells. “Ué? Ele fica invisível apenas, então por que recortá-lo da capa, mostrando assim sua silhueta?”

Respondo. O livro tem uma pequena sutileza que, na verdade, é o seu coração. Quando Griffin torna-se invisível não é que ele apenas deixa de ser visto pelas outras pessoas. Griffin vai, pouco a pouco, perdendo sua humanidade. Lenta e inexoravelmente ele vai deixando de ser humano, ele desaparece dentro de sua condição não-natural, da sua teratologia. Chegamos no filósofo Berkeley: ser é ser percebido (esse est percipi). Griffin não é mais percebido; ele perde, portanto, sua condição de ser.

Está aí a explicação do recorte da capa: todas as outras personagens principais do livro estão ali desenhadas e identificadas pelo nome. No papel, elas existem, e existem como sujeitos. A Griffin, o homem que se tornou invisível, não bastava apenas não ser desenhado e deixar seu espaço desocupado. Ele deveria ser recortado do espaço em que as outras personagens habitam, porque ele não existe mais como um sujeito, como ser humano (ainda que fictício). Ele não apenas é invisível: ele tornou-se um recorte no plano existencial dos outros seres humanos. E essa é a sua tragédia.

Página de esboços para a capa de O homem invisível, de H. G. Wells.
Thumbnails.
Capa com ilustração final para o livro O homem invisível, de H. G. Wells.
Capa final.

Comments


bottom of page